Eu ia postar um texto recheado dos motivos da minha atual (in)sanidade. Mudei de idéia.
O problema agora é que eu acho tão injusto o jeito que a vida é. Cliché? Eu sei, eu sei. Só acho que seria muito mais fácil sentar na cadeira, ler um livro e ter total concentração e interesse nele, fazendo com que a prova do dia seguinte fosse ótima, chegar aos 17 anos e já ter uma opinião formada sobre o mundo, sobre a vida e sobre o que fazer dela. Eu, com 16, só cheguei na metade da minha formação de opinião. Seria mais prático se tudo fosse recíproco e compreendido. Seria mais fácil chegar na minha aula de Jazz, fazer os passos certos na hora certa e ainda gostar deles. Gostar da música. Gostar do gosto dos outros. Seria muito mais prático, facilitaria a vida das pessoas e evitaria boa parte da dor de cabeça que eu tenho certeza de que você também tem.
Inibição, timidez e ansiedade, na minha teoria de mundo perfeito, não existiriam. Também não existiriam divergentes opiniões, o que acabaria com a formação de Direito, já que, na minha opinião, só serve para estabelecer regras para o convívio de seres incapazes de conviver em sociedade. Direito mostra o podre da humanidade. Não estou criticando o sistema, eu não faço isso. Além disso, em nossa situação atual, Direito acaba sendo uma carreira belíssima.
Acho inclusive que a Marina não estaria na Turquia, que a Bela não estaria nos Estados Unidos e que eu estaria mais feliz se o tema desse ano não fosse o mais odiado por mim: Cabaré - até porque meu jeito sensual, desinibido e sem vergonha de ser feliz (?) não me permitem acreditar que eu posso ser digna de uma vida normal depois de ultrapassar minhas próprias barreiras do escrúpulo. Eu não faço esse tipo de coisa.
Eu tenho, também, que me desculpar por esse post chato e amargurado. Mas é que é tudo injusto demais. Talvez seja esse o complemento da ironia da vida, descoberta a pouco por mim:
Hoje, você é um corpo com vida, você pensa, você anda, você sente, você é apto a fazer qualquer coisa, até mesmo as que a anatomia humana não foi feita pra fazer (como, ham, ginástica olímpica). Daqui a algum tempo, você vai morrer. Isso é a única certeza de quem vive. Então, você acaba. Seu corpo vai estar gelado, frio e duro após algumas horas que você partir. Você vai pro instituto médico legal, você vai pro necrotério, você é engavetado e, as vezes, você é empilhado junto a outros corpos que não pensam mais, que não andam, não amam ou sentem. Não tenha dúvida de que no dia em que você morrer e não tiver gavetas suficientes para você, vai acabar empilhado, duro, deformado em uma maca no corredor, fazendo barulhos altos, que mostram que todo o ar dentro de você está saindo. O fato de você estar no topo dessa pilha de corpos também não é garantido - três outras ex-pessoas podem estar em cima de você. Depois desse episódio, seu corpo vai tomar um rumo que você escolhe enquanto vivo: ou seu vira pó e fica guardado até sabe lá quando dentro de um pote, ou é enterrado. Se escolher a segunda opção, seu corpo vai se deteriorar com o tempo, bichos vão aparecer e destruir o que você lutou durante a vida para manter em um estado menos pior para a sua própria aceitação. Não tenha dúvida de que seu fim vai ser triste, ironico e sem frutos (a não ser, é claro, que você tenha um plano de saúde).
Da vida, a gente não leva nada.
Mas também não me venham com Carpe Diem, porque isso comigo não funciona. Até porque é impossível estar de acordo com tudo o que acontece ao seu redor. O seu corpo nunca vai ser bom o bastante, seu rosto nunca vai ser esteticamente tão aceitável quanto ao da sua amiga, suas notas não serão as melhores, existem pessoas mais aplicadas do que você, seu interesse nunca vai conseguir suprir as expectativas da sua família e os temas da sua apresentação de Jazz sempre vão te causar náusea.
E quando você estiver cansado.....
Inté;
quinta-feira, 4 de setembro de 2008
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5 comentários:
Aaai, que post pesado.
Ah, e eu não entendi o título.. ¬
Concordo que o tema do jazz não foi dos melhores não, principalmente a música.
E eu não acho nada poética essa sua análise da vida... É, eu sei que nesse momento tá meio difícil falar só de coisas boas (até porque eu acabei de ter uma crise em relação ao que que eu vou ser no futuro e cheguei a conclusão de que eu não gosto de merda nenhuma. Acho que -quase- todas nós chegamos à essa conclusão). Queria que não tivesse muita opção, ou sei lá, fosse mais fácil decidir, ou que eu gostasse de pelo menos uma coisa!
Ah, nem sei mais o que que eu tô falando direito..
Whatever.. Beeijos
Ui, minha língua ta ardendo.
Você quis dizer, ahn, sua orelha? Ah tá, pensei.
ha
ha
ha
¬¬
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