Nunca fui muito de gostar de crianças - sempre me irritaram um pouco. Quando gritam, quando puxam o cabelo ou vomitam em cima de você. Acima de todos os "tabs" que pertencem ao quesito "criança", bebês é o topo, a cereja. Porque choram, porque berram, porque não falam, porque são dependentes demais e porque, novamente, vomitam em cima de você. Pode até ser bonitinho, mas depois de três minutos fazendo "oh nha nha" eu sou outra pessoa. Meus filhos, netos, sobrinhos e bisnetos (se até lá eu ainda estiver viva) serão super mimados e amados por mim, mas, honestamente, parou por aí.
A única coisa que eu nunca pensei que fosse possível aconteceu: ganhei um filho com valor de sobrinho. Não se espantem com isso, eu não estou grávida ou nada do tipo, é que minha irmã tem um cachorro.Aah, cachorro. São bebês que, não importa a idade, sempre andarão de quatro. E peludos.Nunca fui muito fã dessa história de ter que limpar o que eu não fiz, ter que pagar um banho milionário e ter que passear com meu companheiro. Companheiro: esse é o lado positivo, que anula todos os outros e gera a vontade de comprar um cachorrinho. Eu, como dona de um rotweiller que um dia já foi docinho, não tenho a menor idéia do que os tópicos acima representam. Deve ser por isso que eu gosto do Tom.De qualquer forma, quando você compra um bichinho desses você não tem idéia da quantidade abissal de doenças que ele pode ter, dos problemas que ele pode aparecer e do quanto você vai sofrer. Por exemplo, temos o Mimo, "filho" da minha irmã. Mimo e eu nunca nos gostamos, veja bem. Essa relação cheia de amores começou com o seu primeiro rosnado pra mim e foi confirmado quando eu dei um chute nele que o fez voar até a parede oposta, em cima da comidinha dele. Não, eu não sou louca, o Mimo é.Como eu queria ver a cara das pessoas ao lerem isso.Pois bem, eu sempre tentava fazer carinho no Mimo, que no primeiro momento parecia gostar, no segundo momento parecia estar entediado, no terceiro momento Mimo saia de perto e no quarto momento ele pegava os seus brinquedinhos e espalhava pela casa, para minar o campo e ter uma desculpa para me atacar. Ou ao Zé, o "pai" dele, que, por sinal, também tem uma relação um tanto quanto conflituosa. Cada um tem sua virtude, eu e Zé temos a nossa.Além do mais, para coroar a convivência, Mimo começou a atacar as empregadas da minha irmã, a comer feito um boi e a pesar feito um porco. Os dois últimos quesitos não fizeram diferença, a não ser estética, porque ele ficou três vezes mais gostoso de morder. Não que eu morda ele, porque isso seria doentio. Caso contrário, eu e Cullen teríamos uns pontos em comum, fora a beleza sem fim, é claro.

Quatro anos se passaram dessa forma até o dia em que minha irmã resolveu passar esse ano novo em Portugal e largar o Dr. Evil no "hotel". Como eu já disse no post passado, minha entrada de ano foi um pouco diferente das dos outros anos: cheia de bruxaria. O copo quebrou, minha irmã se sentiu esquisita e Miminho teve um problema no olho - tudo isso no dia 31, o que, felizmente, prova que as coisas ruins não foram nesse ano, mas no final do ano passado. Digo, as coisas ruins-ruiiiins, porque, por exemplo, meu pai, mesmo dizendo que está pra morrer, ainda não perde a oportunidade de falar pra minha mãe tirar as coisas dela da casa de Angra, ou seja, tempo hábil para fazer maldade ele ainda tem. Mas vamos falar de coisas felizes e bonitas: o Mimo. Então, o Mimo teve um probleminha no olho que primeiro pensamos ter sido um Glaucoma, mas que agora sabemos que foi úlcera de córnea e que, segundo o veterinário, ele estava sentindo dor, muita dor.
Foi o bastante pra família inteira se mobilizar, inclusive meu irmão, que odeia o Mimo. Ou pelo menos odiava. A pré-conclusão é que o levamos para operar ontem, ele chegou grogue e com o "colar elizabetano". Quando digo "grogue", quero dizer que ele estava dormindo em pé e olhava para o além durante muito tempo, atitude que foi carinhosamente apelidada por mim de "recebendo as mensagens de Marte". Alegrei a casa.
Por fim, a conclusão é que, com seu belo colar, Mimo não consegue comer ou beber em seu potinho e precisa de alguém para o ajudar. Eu. Sim, eu e minha psicologia enooorme fomos ajudá-lo. E, pasme, deu certo. Até porque, não satisfeito que eu tenha que levantar a vasilha, eu tenho que pegar aquela ração MOLE e dar na boca dele. Eu confesso que foi o ápice da minha relação com o Mimo e que eu realmente o amei naquele momento. Mas, convenhamos, ele tem que me amar pra sempre agora. Inclusive porque eu estou fazendo carinho nele compulsivamente apesar do fato super relevante de que ele não está o cachorro mais cheiroso do mundo.
Eu sou um amor de pessoa e eu sei que você me ama.
Inté;